domingo, 26 de setembro de 2010


Beto, o pai da Nina e meu companheiro querido - o mamífero!!

E hoje estamos aqui. Você com 32, eu com 35 e nossa pequena que, em breve, competará 5 mêses.
5 mêses de espanto, alegrias, muitas lágrimas vertidas por motivos diversos, de muitas descobertas, de muitas dúvidas. 5 mêses de um amor quase incompreensível.
5 mêses esses onde você foi meu porto seguro, meu rumo, minha força, minhas mãos e pés. Foi quem me acolheu na minha distância. O homem que me permitiu SER MÃE e mais nada. Foi meu alicerce, meu melhor amigo. Meu namorado de longe. Meus olhos atentos que não deixaram que eu me perdesse. Você foi o objetivo que eu via com clareza. Você foi a minha consciência absoluta e a certeza de que tudo daria certo porque VOCÊ ESTAVA ALI. Minha rede protetora quando eu só enchergava abismo e escuridão. Você enxugou minhas lágrimas e encolheu meu medo, mesmo que o seu fosse tão grande ou até maior que o meu. Você foi HOMEM. E isso eu NUNCA vou esquecer.
Sempre te agradeço por tudo que é e tem sido ao longo desses anos não porque não tenha mais nada a dizer. Não...é porque jamais poderei parar de te agradecer...e hoje, no seu primeiro aniversário ao lado da sua filha, eu preciso te agradecer por algo valioso demais: nós agora temos A NOSSA FAMÍLIA!! E só você poderia ter me dado a coragem de encarar isso. De assumir e acolher a idéia com o maior carinho do mundo. E de olhar pra vocês dois e ter a certeza: escolhi essa vida porque vocês estavam no meu caminho. Vocês me bastam. Vocês preenchem a minha alma de luz, som, cor, magia, certeza, alegria, caminho, cheiro bom, risadas...vocês são o que eu chamaria de - A MINHA ESSÊNCIA!!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

::: 3 mêses :::

3 Mêses
Pois é, voltando ao mantra básico da maternidade: isso passa. O tempo passou e você fez 3 mêses. Mêses esses que eu jamais achei que fossem chegar.
Hoje tenho em você a minha melhor companhia. Você acorda de manhã, abre seus olhões enormes e me sorri como que me dizendo: eu te amo. E eu te amo de forma descomunal. Aí nós vamos fazendo a nossa rotina particular - você faz caretas e sorri sua banguela, depois a gente fica limpinha e a mamãe toma café da manhã enquanto você brinca e descobre que as suas mãos, talvez, realmente façam parte de você e que possam servir pra muita coisa. Calma, meu anjo, você chega lá, afinal, uma das coisas mais importantes que a mamãe descobriu e vivencia com você é que tudo tem seu tempo pra acontecer. A mamãe sabe, por instinto e amor que, essa fase de apego precisa ser visceralmente vivida pra que um dia, bem próximo provavelmente, você possa dar seus vôos solos e mais ainda - saiba sempre pra onde voltar. Depois a gente mama e vai passear e você luta pra ficar acordada pois adora os amigos e as árvores e os pássaros. E é lá na pracinha que eu, sua mamãe, faço novas amizades e descobertas, como, por exemplo, dar muito colo e muito peito e ser radicalmente contra te deixar chorando não é filosofia apenas minha e isso me faz muito feliz, mesmo que eu fosse a única mamãe a pensar assim. Hoje vejo, mais de perto do que qualquer outra pessoa no planeta, os seus pequenos grandes passos, as suas conquistas diárias. A sua cabecinha que insiste cada dia mais em se manter ereta pra ver o mundo de frente. Seus olhos brilhantes que encantam e desbravam cada palmo a frente do seu nariz. Seus movimentos, outrora tão descordenados, agora já fazem sentido e te dão sentido. Seu choro, seus bicos impagáveis, seu cheiro único. Suas noites que se esticam e seu esforço em se consolar sozinha - mais um passo rumo a independência que tantas mães insistem em apressar ao seu bel prazer. Sua necessidade um pouco menor do meu colo me convencendo sempre mais que respeitar o seu tempo de dependência só traz uma leveza a minha maternagem e para sua vida como um ser humano íntegro. Só eu sei como tive que fechar os ouvidos pra palpitaria do mundo para ouvir meu próprio coração. Como tive que dissolver paradigmas internos do famoso' bebê dependente e manhoso' que faz birra e é apegado demais. Ok, teorias estão aí para serem lidas mas o verdadeiro caminho, acredito, está no coração. E segui-lo traz frutos doces que transformam profundamente a mim mesma. E tenho certeza - transformam lenta e eternamente a você, minha pequeNINA, também.  A pracinha, por sinal, é também um grande legado pois lá se reúnem, entre babás e mamães, uma infinidade de opiniões, perspectivas e o pior - as comparações ...ou seriam competições? Loucuras à parte e observando silenciosamente, penso: eu não quero que a minha filha seja a mais veloz ou que sente sozinha com 4 mêses. Nem a mais inteligente, muito menos que exiba precocidade mundo afora e acho graça quando digo de peito aberto que não me importo que ela ainda precise do meu peito pra adormecer e interiorizar. E que se ela ainda acorda de 2 em 2 horas pra mamar à noite é porque esse é o tempo DELA. Desde que chegou em minha vida, minha única meta é que ela saiba e possa ser feliz! E é essa felicidade que pauta todas as minhas escolhas e que me mantém firme na brigada a favor das minhas ideologias diante de um mundo que deixa crianças chorarem até dormir, livros levados a cabo e principalmente crianças precocemente independentes.
Mas assim como tantas mães amigas, da pracinha e até mesmo as que não conheço, também já fui mãe recém-nascida, cheia de dúvidas e medos e informações contraditórias da terra dos palpites. E ainda estou engatinhando, sim. Não é fácil e as verdades são muitas. Só posso dizer uma coisa: confie em você mesma e tudo aquilo que você escolher por você e visando o bem do seu pequeno será o caminho certo porque esse é o único rumo que existe: o do coração e do AMOR!!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MeNINAs

Muita atenção que vou dar uma receita de menina.
Para se fazer uma menina, toma-se uma xícara de felicidade, dois botões azuis, pétalas de rosa, um pouco de glacê, um punhadinho de areia, três conchinhas róseas e uma colherada de imaginação. Acrescenta-se também um pouquinho de sal e muito açúcar e mel, uma casquinha de sorvete, o dengo de um gatinho novo e três gotinhas de perfume.
Não esquecer de um espelhinho prateado, pois é uma menina e, antes de tudo, mulher, e logicamente vaidosa.
É importante acrescentar uma borboleta amarela, muita inocência e um dedinho com band-aid.
Recolha com cuidado uma gotinha de orvalho, o brilho de uma jóia, todos os matizes de um quadro de Renoir, uma pitada de sonho e muito carinho.
Consiga um pouco daquela brisa do mar, uma colherinha da luz das estrelas, um sorriso inesperado, o ruído de uma onda na praia e deixe tudo isso ao luar.
Misture tudo e acrescente muita ternura e amor, um pouco de teimosia e muita curiosidade, uma lágrima e duas asinhas de beija-flor.
É assim que são feitas as meninas.
São as coisinhas mais lindas que existem na terra, são muito frágeis e ao mesmo tempo fortes e resistentes.
Com apenas uma lágrima comovem o mais duro dos corações pois ninguém resiste a um pedido acompanhado de um beijo molhado.
Uma menina parece que nasce sabendo que terá a responsabilidade de alegrar, suavizar e colorir a vida.
** roubei esse texto de uma amiga materna chamada Aline, mãe da princesa Ana Cecília!!
É isso, lembro-me até hoje do dia em que eu e Beto fomos fazer a ultra pra sabermos o sexo do bebê. Até então não havia sentido nenhuma intuição mais forte a respeito, apenas um sonho maluco de um menino dentro de um saco de pão...vai entender, né?? Risos!!
Aí, estando lá, o Dr. André circunda uma coisa arrendondada e fala: "Olha aí, ó!! Resolveu se mostrar!!". Ãhã...onde?? Pra mim aquela coisica arredondada era obviamente um saquinho, né?? E aí ele fala: " Uma meninona!! ". Bem, se naquele momento o planeta terra tivesse tido um black-out e ficasse sem luz não teria problema pois nunca antes havia visto os olhos do Beto brilharem taaaaanto!! Sim, ele sempre quis uma menina. E eu acho, não sei bem ao certo, que à partir daquela fração de momento, não queria mais nada além de ser mãe de uma menina. Meu mundo, que jurava de pé junto que JAMAIS seria rosa, se pintou em matizes de lilás, rosa e lacinhos...esse é um capítulo extenso da saga MORDA SUA LÍNGUA!! E hoje, quando olho pra Nina, sei que eu TINHA que ser mãe de uma linda princesa...meu amor, o mundo está melhor desde que você chegou e perguntou: tem lugar pra mim?? Sim, como já disse antes: você É o lugar em mim. Te amo, filhA!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

:::Isso passa:::

Minha filha, hoje não tive nenhum ímpeto de falar de parto, dores, depressão ou dificuldades que eu sei, fazem parte dessa jornada materna.
Hoje me deu vontade de te falar coisas que vem tão do fundo do meu coração que tenho medo até de não conseguir exprimir em palavras, sabe??
Você está deitada aqui na minha frente, num edredon colorido e está balbuciando, sorrindo, tentando rolar, coisa que você ainda não sabe fazer mas instintivamente já tenta e vejo - você é puro instinto, pura tentativa, pura exploração diante desse mundão pro qual você escolheu vir e precisa conhecer, né??
Outro dia você estava dentro de mim, mostrando já lá o seu grande vigor e vontade de andar. Me chutava intensamente. E me diziam: aproveita pois vai passar. Aí, de repente, os 9 mêses se passaram bem rapidinho, diga-se de passagem, e como num passe de mágica você estava em meus braços, dormindo muito, chorando e mamando, mamando e mamando. Aí, de repente, você passou a dormir menos e sentir as famigeradas cólicas que tanto doeram e pode acreditar, doeram mais em mim e chorei um bocado junto com você. E você foi acordando, descobrindo que o mundo é colorido e barulhento. Descobriu a voz do seu pai e de como ele é importante pra você. Descobriu que a mamãe também estava te descobrindo e assim, nos encontramos, de repente, numa voz uníssona e consistente. E aí, de repente, as mesmas cólicas passaram e você resolveu que dormir é chato, afinal, esse mundo pro qual você veio é por demais interessante mas aí você também fica cansada, afinal você ainda é um bebezinho. E é teimosa, acredite!! Taurina, né meu amor?? E aí, assim como quem nada quer, você resolveu conversar comigo e eu quase desmaiei de alegria e espanto pelo imenso amor que só faz crescer dentro do meu coração. E aí veio o primeiro sorriso consciente e....sei lá, me faltam palavras...e agora, todo dia, quando você acorda do meu lado com esse cheirinho insuperável de Nina e me sorri esse sorriso banguela único meus dias simplesmente se transformam...minha alma retoma uma dimensão perfeita, inteira. E também como quem nada quer, você fará 3 mêses daqui a 3 dias e agora afirmo: tem que aproveitar mesmo porque o tempo passa. Nunca mais voltará o dia em que vi seu primeiro sorriso e o dia do seu primeiro passo ainda virá e por isso que digo: a maternidade me faz viver o aqui e agora. Tudo é urgente, único, passageiro. Há de se manter olhos e coração bem abertos. E esse tempo pequenino, bebezinho, dependente, simbiótico, onde somos uma só, passa. Ainda não passou, estamos vivenciando-o com extrema intensidade pois foi isso que escolhi. Escolhi o colo em tempo integral, escolhi a livre demanda, escolhi o sling, escolhi o acolhimento total e irrestrito, escolhi a dedicação absoluta, escolhi te escolher acima de tudo e de todos e sei, institivamente, com alma de loba, de que escolhi o caminho certo. Certo pra mim e pra você. E isso basta. E isso NÃO PASSA!! 

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

AMamentAR

Pois é, amamentar!! Sempre fui e sempre serei a favor, de forma incondicional, dessa forma única e poderosa de alimentar os nosso filhotes mas...
Bem, durante a minha gestação fiz dois cursos sobre o assunto com a doula Stephanie e só. Em nenhum momento eu me preocupei se teria leite suficiente, se doeria, se racharia o bico...de alguma forma simplesmente não me preocupei. O que foi bom e ruim mas só saberia disso mais adiante!!
Passei a vida ouvindo que amamentar é um ato natural, instintivo e sempre acreditei nisso, afinal, somos mamíferas, certo?? Sim e não. Porque amamentar pode não ser tão natural e instintivo assim quando for pra valer.
Pra mim pelo menos não foi e posso afirmar - lutei MUITO pra conseguir chegar onde estou hoje: amamentando exclusivamente!! Quando a enfermeira me trouxe a Nina pra tomar seu' primeiro gole', eu ainda estava grogue da anestesia ( fato esse do qual só me dou conta hoje e que só confirma a minha vontade de ter lutado mais pra ter tido um parto normal mas... ), portanto não senti a emoção esperada, nem a dor que acreditava que sentiria, nem nada...uma decepção, na verdade. Aos poucos, mamar era a única coisa que o meu pacotinho fazia...e eu fui tentando entender o processo, entender se eu estava fazendo certo e aos poucos fui também entrando em toda a paranóia tão anunciada - tenho leite suficiente, minha filha está ganhando peso ( afinal, a Nina nasceu pititica ), o monstro da balança acenando lá na frente. Chegando em casa, tive a apojadura e ela foi dolorosa mas passou rápido e aí, normalmente, ocorre a descida do leite...e eu esperava ver o meu peito jorrando, espirrando, escorrendo e nada!! Pânico, desespero, cansaço, decepção e uma dor insistente no meio do peito, ou melhor, do coração. E uma pergunta latente e insistente: poderia amamentar minha filha como eu sonhava tanto??
Passei várias madrugadas andando na sala, de peito de fora, oferecendo a ela minha boa vontade mas também meu desespero. Eu não sabia amamentar e ela não sabia sugar. Jogava a cabeça pra trás no sentido contrário ao do peito, chorava, sugava mas não parecia satisfeita...nossa, que exaustão!! Em todos os sentidos. No décimo dia, a primeira consulta com o pediatra e pimba!! Ela havia perdido ainda mais peso. Jamais saberia explicar a minha dor nesse momento...eu não estava sendo capaz de alimentar a minha filha!!!  FRUSTRAÇÃO profunda e nunca antes experimentada na vida!! Saí de lá arrasada, diminuída por dentro, confiscada na minha intuição...no dia seguinte, consultei a doula e lá, com os peitos expostos, sendo sugados por uma máquina, ouvi a constatação: é, vc está com pouco leite. Mais dor...o que eu faria? Não admitia desistir...saí de lá com uma sonda pra tentar alimentar minha filha e uma lata de Nan na mão. E posso afirmar: quando vi, naquela mesma noite, minha filha tomar 90ml de Nan do bico de uma mamadeira, eu nunca chorei tanto na minha vida!! Me senti um lixo, a última das mulheres, juro!!
Mas não desisti, dei leite na sonda ( um verdadeiro martírio, tanto pra ela quanto pra mim ), dei a maldita mamadeira quando a exaustão me venceu, o que se resume a 3 mamadeiras ao todo e segui em frente. Tomei Plasil, cápsulas de Alfafa, spray de Ocitocina e toma-lhe peito na linda boquinha da minha pititica, afinal, nada mais funcional do que a sucção. Ela própria foi minha redenção...minha pequena salvadora!!
Adotei a livre demanda, que aliás pratico até hoje, de peito aberto. Aboli relógios, crenças de que o bebê tem que mamar de 3 em 3 horas. Dou o peito o quanto e quando ELA quer. Acredito que os intervalos, o desmame, a necessidade quem faz é a própria criança, do jeito dela. No tempo dela.
E assim, aos poucos, depois de muito choro conjunto, regulei meu fluxo pra necessidade dela ( não, não vazo, nem jorro leite, tenho o suficiente pra ela ) e juntas transformamos dificuldade em cumplicidade profunda. Hoje ela mama, mama e mama e aí faz aquela carinha linda de 'bêbada'...de satisfação total!! A minha maior batalha e o meu maior trunfo. Ganhou peso, dobrinhas impagáveis de tão deliciosas e uma confiança de que a mamãe sempre vai lutar por ela...
Hoje meus peitos significam pra nós -muito além de alimento - carinho, aconchego, liberdade, união, saúde! Significam - pra mim -confiança, luta e persistência.
Nota: pra aquelas mamães que não puderam ou não quiseram ou desistiram por cansaço ou até mesmo por falta de conhecimento e apoio - saibam que aqui falo por MIM, da minha experiência pessoal, daquilo em que EU acredito, portanto, não tomem esse e todos os outros desabafos como julgamento ou crítica - essas duas palavrinha já sabemos - não combinam com MATERNIDADE!!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Domingo de manhã. Dia de alta. Beto arrumou o quarto com o capricho que lhe é comum e eu...bem, eu me perdia cada vez mais dentro de mim mesma. Levaram a Nina pros últimos testes e quando a trouxeram de volta, toda embrulhadinha na manta como só sabem fazer na maternidade, eu lembro de ter sentido apenas uma coisa: P-Â-N-I-C-O!! Isso mesmo - pavor, medo incontrolável e uma vontade de ficar morando na maternidade por um tempo porque, na boa, o que eu ia fazer com aquela mini criatura????????? Socorro. Eu senti muito medo e um bolo gigantesco se formava na minha garganta. Indigesto e devidamente engolido pois não permiti, até aquele momento, que o Beto ou minha mãe percebessem alguma coisa. Eu realmente achei que seria coisa de momento e que passaria...ledo engano. Ainda choraria muitas e muitas vezes. Mas eu ainda não sabia disso e isso só prova como a vida é sabia!!


E lá fui eu pro carro, com a Nina no meu colo, morrendo de dor a cada buraco na rua e apavorada!! Pronto, chegamos em casa e a vida simplesmente JAMAIS seria a mesma de novo. E à partir daquele dia, especificamente 16 de Maio, começava uma jornada linda e dificílima pra dentro do meu ser. Foi necessário reconhecimento mútuo, uma carga desumana de paciência e muito, muito amor incondicional pra conseguir superar o primeiro mês. Eu achei horrível e confesso isso sem medo de ser julgada. Dizem que sentirei saudade. Aliás, me choca a quantidade de mães que falam isso mas por enquanto ouso duvidar...quem sabe esse será mais um enredo da saga: morda a sua língua!! Risos...

Eu chorei muito, batalhei muito, pesquisei muito, conversei muito, mudei de idéia de como proceder um milhão de vezes, ou seja, fiquei sem referencial, deixei de ouvir minha intuição e só me ferrei com isso. Me perdi e isso diante de um bebê que precisava de mim o tempo todo, 24 horas por dia, 7 dias da semana...desgastante no mínimo. O cansaço turvou a minha mente, isso é fato...mas é fato também que, cada vez que a Nina me olhava, cada vez que ela segurava na minha mão, meu pequeno universo particular que tanto doía, sorria e reafirmava - você, minha filha, é o grande amor da minha vida!!

Assim fui esperando, com certa ansiedade sim, os dias passarem. Aí veio o primeiro passeio, a primeira vez que saí com ela sozinha e me senti uma heroína, a primeira vez que passei um dia inteiro apaixonada por ela e aí o meu sobrinho nasceu e ela já tinha um mês e meio.

Hoje ela tem 2 mêses, já sorri conscientemente pra mim, já passa horas acordada...a gente dança junto, canta junto e principalmente, viaja junto!!

Lógico que não posso esquecer de falar aqui das duas principais figuras desse período tenso que eu passei: minha mãe e principalmente meu marido pro qual também dispensaria qualquer palavra do dicionário Aurélio pra descrevê-lo - certamente estaria sendo injusta em classificá-lo...Beto, TE AMO. Obrigada é pouco.

É isso por enquanto, volto logo mais!! Nina chora e vou acudí-la!!

Obs.: confesso que ainda espero ansiosamente pelos 3 mêses que dizem - tudo começa de fato a melhorar consideravelmente...risos!! E deixo aqui meu protesto respeitoso com o grande Criador - deixe o sistema digestivo dos bebês mais maduro antes de nascerem...pouparia um bocado de dor e desconforto!! Obrigada!!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

:::Impressões eternas de um dia único:::


Ela chegou berrando e bem, creio que esse seja um de seus passatempos prediletos...risos...sim, a minha filha sabe a que veio e expõe isso e alto e bom som!! Meu parto foi de cesariana, fato esse que em princípio me incomodava - quis muito ter parto normal. Daqueles que se acorda o marido no meio da noite gritando que a bolsa estorou!! E aí se inicia aquele corre-corre, malas pra cá, liga pra obstetra, respira cachorrinho, faz força, respira de novo, enfim, minha visão particular e muito provavelmente um tanto quanto romantizada do que seria um parto normal...mas, como nada na vida é muito previsível, fui até a 41a semana da gestaçao e nada!! Andava pra lá e pra cá, ia no shopping, fazia compras, andava mais um pouco e nada. Ia toda semana na Dra. Rubina, minha amada obstetra, fazia o delicioso toque ( esses são os últimos momentos de prazer na gestação - tomar dedadas infinitas...sim, sua querida vagina vira praticamente utilidade pública!! ) e nada. Ela me perguntava: " Tudo bem, Sabrina? " e eu respondia: " Sim, tudo ótimo!! " e ela dizia: " Sabrina, ninguém pode estar ÓTIMA com quase 42 semanas de gestação!! ". Mas eu estava e como nada evoluia, nenhuma dilatação, optei por uma cesariana mesmo. Cesariana essa da qual não me arrependo em nada. Pra ser sincera...achei ótimo. Tudo aquilo que eu mesma criticava, fiz. Fiz a unha, fiz luzes, pintei os cílios pra sair bem nas fotos, enfim...começou a árdua tarefa de morder a língua. Atividade essa que virou rotina desde que me tornei mãe. Bom, voltando ao dia do parto, fui cedo pra maternidade com o meu marido e a minha mãe. Pouco a pouco amigos queridos chegaram pra me confortar e esperar aquele mágico momento. Posso dizer que a espera, apesar de longa, foi tranquila. Fui disposta pro centro cirúrgico, achando tudo muito louco porque aquela situação me fugia completamente do ilusório controle que achamos que temos, ou melhor, que eu acho que tenho. Era uma via de mão única. Dali daquele centro cirúrgico eu não sairia mais sozinha...e isso me deu uma mistura muito concentrada de alegria e medo. A cirurgia em si foi desagradável, tive a nítida impressão de que me roubavam todos os orgãos...risos!! Era um mexe e remexe daqui e dali...só sosseguei quando ouvi - prepara a máquina!! Ufa!! E aí...aí eu volto a afirmar: não tenho palavras pra descrever...a minha filha estava ali, na minha frente, toda perfeita, ainda presa pelo cordão umbilical...que emoção...guardarei essa imagem na memória pro resto dos meus dias...e contarei pra ela milhões de vezes. Muitas foram as vezes que eu e Beto choramos juntos de emoção quando a gente lembrava daqueles momentos. Passei a vida ouvindo mães afirmando ser essa uma das maiores emoções que se pode sentir e confesso que até entendia mas de forma racional...só quem passa por isso sabe do que estou falando!! Passado esse capítulo único da minha existência, só me lembro de estar de volta ao quarto e que em instantes a enfermeira me trouxe aquele pacotinho precioso e faminto. E ali, naquela hora, naquele minutinho, começava uma grande jornada, eterna, perene, infinita dentro do que pra mim significa essa palavra!! Era também uma hora em que eu administrava a realidade que mais parecia paralela...era um misto de zilhões de sentimentos. Amor e cansaço. Vontade de ir e de ficar. Muitas visitas, muitas pessoas que confesso nem lembro, só sei que estiveram lá por causa das fotos ( deve ser a onda que dá da anestia...risos ). Dor. Remédios. E eu não conseguia parar de olhar a pequena. Era uma necessidade de entender o que ela significava pra mim e mais ainda - o que será que eu significava pra ela!! E eu lembro de me sentir meio culpada de tê-la 'tirado' de dentro de mim. Por muitas vezes achei, observando-a, de que ela não queria estar ali e sim dentro. Mas ali também começava a caminhada dela nesse vasto mundo. Muita doideira...Muito TUDO!! O maior amor do mundo!! E confesso sem medo: o mais assustador também!!

O começo do caminho...um passo por vez...

Nove mêses e um dia, invariávelmente, eles chegam ao mundo. Não ousaria, de forma alguma, tentar classificar a emoção que eu senti quando vi minha filha, NINA, saindo de dentro de mim...justo eu que sou aficcionada pelas palavras. Até hoje, 2 mêses depois daquele inesquecível 14 de maio, quando fecho os olhos, sinto o coração se contrair de forma até hoje inexplicável e as lágrimas correm bem fácil...pra mim foi o grande divisor de águas da minha vida porque se alguma mãe de primeira viagem ousar me dizer que sabia exatamente como seria ser mãe, eu ouso desconfiar mesmo!! Não, a gente não sabe. E no meu caso eu diria: ainda bem!! Porque é uma maravilhosa e assustadora aventura. Imprevisível. Forte. Intensa. Emocional. Dedicada aventura. Isso sim é, pra mim, o papel MÃE.


Resolvi começar esse blog pra escrever, expor, colocar pra fora essa experiência única. O que escrevo aqui são AS MINHAS impressões e buscas. São os meus sentimentos diante da maternidade. Não espero que ninguém concorde ou discorde ou compare. É um delicioso desabafo e relato. Só isso e tudo isso.
 
Sejam bem vindos!!