sexta-feira, 23 de julho de 2010

Domingo de manhã. Dia de alta. Beto arrumou o quarto com o capricho que lhe é comum e eu...bem, eu me perdia cada vez mais dentro de mim mesma. Levaram a Nina pros últimos testes e quando a trouxeram de volta, toda embrulhadinha na manta como só sabem fazer na maternidade, eu lembro de ter sentido apenas uma coisa: P-Â-N-I-C-O!! Isso mesmo - pavor, medo incontrolável e uma vontade de ficar morando na maternidade por um tempo porque, na boa, o que eu ia fazer com aquela mini criatura????????? Socorro. Eu senti muito medo e um bolo gigantesco se formava na minha garganta. Indigesto e devidamente engolido pois não permiti, até aquele momento, que o Beto ou minha mãe percebessem alguma coisa. Eu realmente achei que seria coisa de momento e que passaria...ledo engano. Ainda choraria muitas e muitas vezes. Mas eu ainda não sabia disso e isso só prova como a vida é sabia!!


E lá fui eu pro carro, com a Nina no meu colo, morrendo de dor a cada buraco na rua e apavorada!! Pronto, chegamos em casa e a vida simplesmente JAMAIS seria a mesma de novo. E à partir daquele dia, especificamente 16 de Maio, começava uma jornada linda e dificílima pra dentro do meu ser. Foi necessário reconhecimento mútuo, uma carga desumana de paciência e muito, muito amor incondicional pra conseguir superar o primeiro mês. Eu achei horrível e confesso isso sem medo de ser julgada. Dizem que sentirei saudade. Aliás, me choca a quantidade de mães que falam isso mas por enquanto ouso duvidar...quem sabe esse será mais um enredo da saga: morda a sua língua!! Risos...

Eu chorei muito, batalhei muito, pesquisei muito, conversei muito, mudei de idéia de como proceder um milhão de vezes, ou seja, fiquei sem referencial, deixei de ouvir minha intuição e só me ferrei com isso. Me perdi e isso diante de um bebê que precisava de mim o tempo todo, 24 horas por dia, 7 dias da semana...desgastante no mínimo. O cansaço turvou a minha mente, isso é fato...mas é fato também que, cada vez que a Nina me olhava, cada vez que ela segurava na minha mão, meu pequeno universo particular que tanto doía, sorria e reafirmava - você, minha filha, é o grande amor da minha vida!!

Assim fui esperando, com certa ansiedade sim, os dias passarem. Aí veio o primeiro passeio, a primeira vez que saí com ela sozinha e me senti uma heroína, a primeira vez que passei um dia inteiro apaixonada por ela e aí o meu sobrinho nasceu e ela já tinha um mês e meio.

Hoje ela tem 2 mêses, já sorri conscientemente pra mim, já passa horas acordada...a gente dança junto, canta junto e principalmente, viaja junto!!

Lógico que não posso esquecer de falar aqui das duas principais figuras desse período tenso que eu passei: minha mãe e principalmente meu marido pro qual também dispensaria qualquer palavra do dicionário Aurélio pra descrevê-lo - certamente estaria sendo injusta em classificá-lo...Beto, TE AMO. Obrigada é pouco.

É isso por enquanto, volto logo mais!! Nina chora e vou acudí-la!!

Obs.: confesso que ainda espero ansiosamente pelos 3 mêses que dizem - tudo começa de fato a melhorar consideravelmente...risos!! E deixo aqui meu protesto respeitoso com o grande Criador - deixe o sistema digestivo dos bebês mais maduro antes de nascerem...pouparia um bocado de dor e desconforto!! Obrigada!!

3 comentários:

  1. Os seus comentarios sao tao intensos!!!
    uipi!
    Qt emoçao!!!

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  2. Mais uma vez: A-DO-REI! Muito lindo seu texto! Mas é assim mesmo...sempre quis ter 2 filhos mas depois dessa experiência: NÃO QUERO MAIS! Todo mundo diz que estou falando isso agora e que depois vou esquecer toda a trabalheira que o primeiro mês proporciona mas tenho sérias dúvidas disso! Acho que não esqueço nunca mais! É muito difícil mesmo! bjks e atualize sempre que der! É um prazer ler seus textos!

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  3. Nossa, eu senti esse medo!hahaha Ah mas dá mesmo um pavor qdo vc percebe q é responsável agora não só por vc, mas por uma coisinha pequetitinha e, dizem-nos (principalmente na gravidez...ô fasezinha danada pra ouvir desgraça,né?), frágil! Mas eu (e o Gabo) descobri por experiência própria que eles são mais fortes do q parecem e apesar de todo o nosso despreparo (ao contrário do q a gente pensa)...sobrevivem!

    Depois, "...uma carga desumana de paciência e muito, muito amor incondicional pra conseguir superar ...". Vc conseguiu descrever com perfeição o primeiro mês!hahaha

    E sim,amiga, sinto ter que dizer (de novo) que vc vai sentir saudades! Espera a Nina crescer e qdo vc vê seu bebê se transformando em criança, em garotinha, vai dar uma saudade danada de escolher roupinha, colocar pra arrotar, ficar embalando... Dá uma saudade danada do tempo em que as "primeiras vezes" dependem de vc.

    Agora acho que vc já está mais experiente e mais íntima da Nina tb, assim como ela está mais confiante em vc. Vai ser mais fácil!

    Amo vcs,viu?
    bjs
    Lu
    =)

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