segunda-feira, 2 de agosto de 2010

AMamentAR

Pois é, amamentar!! Sempre fui e sempre serei a favor, de forma incondicional, dessa forma única e poderosa de alimentar os nosso filhotes mas...
Bem, durante a minha gestação fiz dois cursos sobre o assunto com a doula Stephanie e só. Em nenhum momento eu me preocupei se teria leite suficiente, se doeria, se racharia o bico...de alguma forma simplesmente não me preocupei. O que foi bom e ruim mas só saberia disso mais adiante!!
Passei a vida ouvindo que amamentar é um ato natural, instintivo e sempre acreditei nisso, afinal, somos mamíferas, certo?? Sim e não. Porque amamentar pode não ser tão natural e instintivo assim quando for pra valer.
Pra mim pelo menos não foi e posso afirmar - lutei MUITO pra conseguir chegar onde estou hoje: amamentando exclusivamente!! Quando a enfermeira me trouxe a Nina pra tomar seu' primeiro gole', eu ainda estava grogue da anestesia ( fato esse do qual só me dou conta hoje e que só confirma a minha vontade de ter lutado mais pra ter tido um parto normal mas... ), portanto não senti a emoção esperada, nem a dor que acreditava que sentiria, nem nada...uma decepção, na verdade. Aos poucos, mamar era a única coisa que o meu pacotinho fazia...e eu fui tentando entender o processo, entender se eu estava fazendo certo e aos poucos fui também entrando em toda a paranóia tão anunciada - tenho leite suficiente, minha filha está ganhando peso ( afinal, a Nina nasceu pititica ), o monstro da balança acenando lá na frente. Chegando em casa, tive a apojadura e ela foi dolorosa mas passou rápido e aí, normalmente, ocorre a descida do leite...e eu esperava ver o meu peito jorrando, espirrando, escorrendo e nada!! Pânico, desespero, cansaço, decepção e uma dor insistente no meio do peito, ou melhor, do coração. E uma pergunta latente e insistente: poderia amamentar minha filha como eu sonhava tanto??
Passei várias madrugadas andando na sala, de peito de fora, oferecendo a ela minha boa vontade mas também meu desespero. Eu não sabia amamentar e ela não sabia sugar. Jogava a cabeça pra trás no sentido contrário ao do peito, chorava, sugava mas não parecia satisfeita...nossa, que exaustão!! Em todos os sentidos. No décimo dia, a primeira consulta com o pediatra e pimba!! Ela havia perdido ainda mais peso. Jamais saberia explicar a minha dor nesse momento...eu não estava sendo capaz de alimentar a minha filha!!!  FRUSTRAÇÃO profunda e nunca antes experimentada na vida!! Saí de lá arrasada, diminuída por dentro, confiscada na minha intuição...no dia seguinte, consultei a doula e lá, com os peitos expostos, sendo sugados por uma máquina, ouvi a constatação: é, vc está com pouco leite. Mais dor...o que eu faria? Não admitia desistir...saí de lá com uma sonda pra tentar alimentar minha filha e uma lata de Nan na mão. E posso afirmar: quando vi, naquela mesma noite, minha filha tomar 90ml de Nan do bico de uma mamadeira, eu nunca chorei tanto na minha vida!! Me senti um lixo, a última das mulheres, juro!!
Mas não desisti, dei leite na sonda ( um verdadeiro martírio, tanto pra ela quanto pra mim ), dei a maldita mamadeira quando a exaustão me venceu, o que se resume a 3 mamadeiras ao todo e segui em frente. Tomei Plasil, cápsulas de Alfafa, spray de Ocitocina e toma-lhe peito na linda boquinha da minha pititica, afinal, nada mais funcional do que a sucção. Ela própria foi minha redenção...minha pequena salvadora!!
Adotei a livre demanda, que aliás pratico até hoje, de peito aberto. Aboli relógios, crenças de que o bebê tem que mamar de 3 em 3 horas. Dou o peito o quanto e quando ELA quer. Acredito que os intervalos, o desmame, a necessidade quem faz é a própria criança, do jeito dela. No tempo dela.
E assim, aos poucos, depois de muito choro conjunto, regulei meu fluxo pra necessidade dela ( não, não vazo, nem jorro leite, tenho o suficiente pra ela ) e juntas transformamos dificuldade em cumplicidade profunda. Hoje ela mama, mama e mama e aí faz aquela carinha linda de 'bêbada'...de satisfação total!! A minha maior batalha e o meu maior trunfo. Ganhou peso, dobrinhas impagáveis de tão deliciosas e uma confiança de que a mamãe sempre vai lutar por ela...
Hoje meus peitos significam pra nós -muito além de alimento - carinho, aconchego, liberdade, união, saúde! Significam - pra mim -confiança, luta e persistência.
Nota: pra aquelas mamães que não puderam ou não quiseram ou desistiram por cansaço ou até mesmo por falta de conhecimento e apoio - saibam que aqui falo por MIM, da minha experiência pessoal, daquilo em que EU acredito, portanto, não tomem esse e todos os outros desabafos como julgamento ou crítica - essas duas palavrinha já sabemos - não combinam com MATERNIDADE!!

3 comentários:

  1. Sempre intensa essa vida de mãe,não?
    MAs o q eu adoro em vc é q vc tenta,tenta,tenta e...tenta de novo!
    Me dá ânimo ler essa luta,viu? Na época do GAbo eu não tive essa persistência e me deixei levar pelos palpites. Mas, enfim, vou ter uma segunda chance (e quem sabe uma terceira, uma quarta...rsrs)!
    Aposto q vc nem imaginava que tinha essa força,né? Ser mãe muda e intensifica tudo! Só vivendo pra saber!
    bjs
    =)

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  2. Essa faz a delicia do que é ser mãe....Mae e padecer no paraíso!!!
    Bjss

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  3. Gostei da persistência amiga!!!
    Pra mim foi bem fácil amamentar, o meu pequeno mamou até os 2 anos.

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